Depois de um coração partido, três toalhas encharcadas de lágrimas, uma madrugada em claro e dois dias sem comer praticamente nada eu comecei a tirar conclusões das minhas reflexões.
E a que salvou o dia foi: Ninguém pode escolher por você. Se Deus, que é soberano, te deu livre arbítrio, como é que outra pessoa, simples mundano como você, poderia decidir algo na sua vida?
Claro, tudo tem seu preço. Cada um pode fazer suas próprias escolhas e vai ter de lidar com as consequências, sem culpar ninguém além de si mesmo se porventura quebrar a cara. E obviamente, aceitar de cabeça baixa os tapinhas nas costas acompanhados do dolorido 'eu te avisei'. Porque na hora que nossos planos dão errado, sempre tem um que te acompanhou o caminho todo torcendo pra você tropeçar, cair e ainda por cima não conseguir levantar.
Acho que isso de escolher o caminho do bem ou do mal é muito abstrato e subjetivo. Algumas escolhas podem sim te levar direto pro buraco, mas situações de extremidade não são aquelas em que mais se tem pessoas querendo decidir por você. Normalmente esse tipo de pessoa prefere estar bem longe nas horas de decisões críticas para se isentarem de culpa futura.
Vou basear minha linha de pensamento nos pais, que no momento foram a minha inspiração para o texto. Se alguém pode decidir por nós, são eles. Mas só até certo ponto e isso eles tem dificuldade em aceitar e entender. Eles escolhem suas roupas, penteados, cortes de cabelos, primeira escola e mais uma variedade de coisas desde que você nasce e enquanto você vai crescendo. Como não existe um manual que estabeleça um padrão de criação, cada um vai dando o melhor de si.
Mas apesar de terem nos gerado e possibilitado nosso nascimento, nossas vidas não pertencem a eles. Se tivessem que pertencer seria a Deus, que nos deu o Dom da vida. Mesmo Ele nos deu total liberdade para que fizéssemos de nós, o que achássemos melhor.
No fim, cada um vai tem que responder por seus atos e colher aquilo que plantou. Então, por mais que nossos pais possam nos ajudar a adubar a terra, a regar a semente, a plantação é de nossa responsabilidade.
No mundo de hoje, em que o mal ronda a cada esquina, sem que você nem precise procurar por ele, os pais se tornam ainda mais protetores e não percebem que as vezes nos sufocam. Principalmente, não percebem que não adianta.
Isso mesmo, não adianta. O que eles podiam fazer por nós, tinham de ter feito antes, antes que crescêssemos e passássemos a pertencer mais ao mundo do que a eles mesmos.
Eles nos orientaram, nos explicaram as coisas, nos mostraram como era o mundo, nos disseram a sua maneira o que era bom para nós e o que era ruim. Nós falaram o que eles achavam que nós faria felizes e o que nos destruiria. Nos mimaram, cuidaram, fizeram o seu melhor. Agora é a nossa vez. Eles podem, devem e vão continuar nos amando todos os dias, independente do que acontecer.
Mas agora eles tem que sentar a assistir, assistir seu pequeno príncipe ou princesa que outro dia mesmo cabia no seu colo e hoje mal cabe no aperto do seu abraço trilhar seu próprio caminho. Assistir o resultado de todos os anos de cuidado e atenção que você dedicou a ele ou a ela.
Vai ver ele/a assumir uma personalidade que pode não ter nada a ver com a sua e formular concepções próprias sobre o mundo, sobre o certo e o errado, sobre a vida.
E você não pode fazer mais nada. Ainda que você o veja seguindo por caminhos cheios de cobras, buracos, pedras e muitos outros perigos. Você só pode esperar que ELE venha até você pedir ajuda, pedir um ombro pra chorar, ou pedir colo. Porque não importa o quanto crescidos nos sejamos, uma hora a vida vai te bater com tanta força, que o só aquele beijo de mãe que curava ralados no joelho vai conseguir consolar seu coração.
Esse será o papel dos nossos pais, assistir. E estar ali como sempre estiveram, prontos para cuidar de todas as feridas, que serão muito mais emocionais do que físicas. E o nosso papel? Viver. Viver de acordo com a nossa cabeça, porque o que te condena é a sua consciência.
Ninguém pode escolher por você. Para sempre você vai ter que viver com o peso disso e no meio desse turbilhão de dúvidas, encontrar a sua felicidade.
Por fim, termino com uma citação da Bíblia que de certa forma resume o que eu quis falar aqui.
"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma."
1 Coríntios 6:12

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