23 de outubro de 2012

Sobre expectativas no amor


Já tinha pensado no tema dessa postagem a um tempo, mas acho que agora minha mente está bem sintonizada no assunto e posso discursar com um pouco mais de senso (ou não).
Primeiramente, se você é o tipo de pessoa que acredita em perfeição, em um amor idealizado ou que as coisas sempre dão certo bastando que você acredite nelas, nem continue lendo, porque não é isso que eu vou falar aqui.
Eu vou adotar uma perspectiva pessoal, já que acredito que o jeito de cada um lidar com o amor é tão próprio e único como a personalidade. Então, o que será descrito aqui é o que eu sinto (no momento) em relação a isso.
Acho que seria capaz de amar qualquer pessoa se houvesse algo nela que me agradasse. eu tenho a (terrível) mania de achar que o lado bom sempre compensa o lado ruim. As vezes é verdade, claro, porque não se pode amar de verdade alguém sem aprender a conviver com os defeitos dela. Mas eu acho que as vezes ultrapasso o limite do saudável. O amor não é cego, somos nós que fechamos os olhos para que não enxerguemos nada que possa estragá-lo.
De vez quando fechamos logo os olhos, tapamos os ouvidos e calamos a boca. E quando fazemos isso o que acontece? Acreditamos piamente que nossas expectativas vão se cumprir. Ai vem o tapa na cara que a vida nos dá, que nos pede para acordar e deixarmos de nos enganar, porque isso não é felicidade verdadeira.
Penso que cada um carrega dentro de si um vazio interior e cada um lida com o seu de uma forma. Alguns simplesmente deixam pra lá, outros acham algo que os complete e outros entopem o vazio (sem nunca acabar com ele de fato) com tudo que vêem pela frente no desespero de preenchê-lo.
Vou copiar aqui uma reflexão que fiz no meu diário e que faz muito sentido no post. "Para dar certo você precisa ser a pessoa que ocupará o lugar de todos os vícios. Se você não for o suficiente para preencher os vazios e buracos da vida do outro certamente não ficará com ele pra sempre, embora o pra sempre não exista." Se for mesmo amor, tem que ser assim.
Agora falando efetivamente de expectativas. Eu quero alguém que faça com que o resto esteja em segundo plano. Existem tipos e tipos de amor e com isso eu só quero dizer que esse amor tem que se sobrepor à coisas menos importantes sabe? Quando a gente ama, não tem como. Nós mudamos e mudamos o outro também. Faz parte não lamentar essas mudanças, faz parte apreciá-las.
Eu espero alguém que simplesmente faça parte do meu mundo, que me deixe fazer parte do dele e que construa comigo um mundo só nosso. Alguém com quem eu queira caminhar junto independente do caminho.
Quando começamos a gostar mesmo de alguém, passamos a fazer projeções e roteiros sobre como gostaríamos que as coisas fossem. É obvio que nada acontece desse jeito. Mas certos fatos gerais, tem que ser obrigatoriamente iguais aos que mentalizamos para que as coisas deem certo. Se a outra pessoa ao longo do tempo se demonstrar totalmente diferente do que você esperava, não tem como, porque a nossa realidade tem que ser pelo menos em parte a realização de nossos sonhos. Não adianta claro, sonhar com príncipes de fadas, a não ser que você atualize o seu conto.
Não vamos encontrar ninguém que seja totalmente igual idealizamos, mas precisamos encontrar alguém que de certa forma se encaixe na na 'fôrma' que criamos. Porque é isso que fará com que ela complete esse vazio que eu disse anteriormente que temos. E se ela realmente te preencher, todo o resto que você usava pra 'tampar' esse buraco não precisará mais existir na sua vida, vai torna-se dispensável. Acho que essa é a verdadeira mudança necessária para amar, largar coisas que fazia antes, porque você é verdadeiramente completo agora...
"Porque amor, ainda que tudo a minha volta esteja quebrado e destruído, meu mundo é inteiro com você. Você é minha paz quando eu estou em guerra." - Tirado do meu Diário de Namoro.
Paz... e amor! :)

20 de outubro de 2012

Sobre uma Geração perdida

" Sexo, drogas e rock and roll "
E nós que pensávamos que isso era lema de gerações passadas... Quanto engano.
Primeiramente, quero dizer que o texto se refere a dois tipos de perdições distintos. Um é sobre estar perdido na vida, confuso com os diversos caminhos que temos a seguir e outro é sobre se perder na obscuridade, na obscenidade, na promiscuidade.
E claro, o ponto de vista apresentado aqui é meramente parcial, me referindo a apenas uma porcentagem de  pessoas que eu observo a viver dessa forma.
Para me basear vou falar sobre alguns filmes que eu gosto demais. Demais mesmo, são os que me fazem refletir sempre acerca da minha concepção de mundo.
Eu, Christiane F. - 13 anos, drogada e prostituída.
Ela tinha uma vida comum, mas uma mente vazia na minha opinião. Vai com uma 'amiga' em uma boate que é a febre do momento e lá eles utilizam todo tipo de droga como se fossem balas e pirulitos. A Christiane vai na onda como se fosse algo natural. Acho que ela procura algo pra quebrar a monotonia da sua vida. A única coisa que ela se posicionava contra era a Heroína (H) e eu tenho a impressão que ela só começou a usar por causa do namorado dela, o Detlev. Porque ela tenta a impedir ele de usar na primeira vez, oferecendo qualquer droga que ele quisesse menos essa e depois que ela toma um pico ela pede a ele para os dois pararem de usar. Mas como ele não para, ela continua. E não deu outra, se tornou uma viciada e começou a se prostituir para sustentar o vício. Viu vários de seus companheiros morrerem, entrou em situações perigosas... (Não vou me estender muito ao falar dos filmes para não ficar cansativo.)
Garotas Sem Rumo
Meninas ricas que gostam de estar no meio de gangues e buscam um tipo de status social na periferia. Não medem consequências e se divertem além do limite. Elas realmente tentam vivenciar tudo como se fossem meninas de gangue, as brigas, as drogas, a hierarquia. Isso tudo porque 'odeiam' a vida de brancos ricos e mauricinhos. Elas são simplesmente idiotas em busca de uma identidade. Sufocadas numa elite tradicional, tentam buscar algo mais emocionante, uma vida menos planejada, que traga a elas surpresas a cada dia. Elas gostam da inconstância, da adrenalina sempre em alta e de viver teoricamente nas margens da sociedade. Mas isso é uma fachada, já que elas não fazem parte efetivamente desse mundo e assim que a situação sai de controle, elas correm de volta ao colo dos seus pais podres de ricos e poderosos.
Aos Treze
Uma menina inocente e aluna exemplar que se envolve com a garota mais popular do colégio e acaba inserida num mundo de drogas, sexo e muita loucura. Seduzida pela popularidade e status social, deixa de lado a escola, a família e passa a fazer muita estupidez ao lado da 'amiga'. Mesmo isso não é suficiente para ela, ela se auto mutila quando está no auge da frustração. A Tracy acaba por personificar uma 'vadia' na minha opinião, exalando futilidade e despreocupação, quando por dentro ela está ferida e quebrada. No caso dela eu penso que ela é obsessiva em demonstrar. Demonstrar que está bem, demonstrar que é popular. Tudo é questão de como ela parece para o mundo, o que mascara o que ela é por dentro. E em certo ponto da história ela implode e todas as feridas acabam se abrindo ainda mais, o que permiti a mãe dela ajudá-la.
Já assisti a cada um deles pelo menos duas vezes e a cada vez fico mais impressionada e reflexiva. Assisti novamente para ter exemplos para sustentar minha opinião nesse post e continuei a me surpreender.
Vou falar primeiramente sobre estar confuso quanto ao próximo passo. Nosso mundo cresce a cada dia mais, 'evolui' a cada dia mais e nós temos que nos virar para acompanhar o ritmo. Em cada esquina encontramos uma novidade e várias opiniões sobre elas. Crescer já é complicado simplesmente pelo fato das alterações bruscas que ocorrem com nosso corpo, imagina isso somado a uma personalidade em formação e um mundo virado do avesso. Bagunça. Não sabemos o que queremos estudar, não sabemos o que fazer do futuro, não sabemos nem sequer o que queremos do presente. Tentamos descobrir do que gostamos, o que nos faz bem e procuramos nos misturar com pessoas que pensem semelhante. Aos tropeços e quedas vamos seguindo em frente, dando tiros no escuro e tateando com cuidado até ganharmos firmezas nas pernas para nos encontrar. As vezes vemos logo a luz no fim do túnel e corremos em direção a ela e percebemos que foi tudo uma fase e olhamos para trás e dizemos com orgulho: "Eu venci.". Mas... não é assim pra todo mundo, uns enxergam uma falsa luminosidade atrativa num buraco e no meio de toda a confusão mental, pulam. Alguns conseguem escalar de volta e outros caem cada vez mais.
Antes de navegar nesse assunto, quero dizer que acredito firmemente que só depois de mortos não podemos alterar nossa história. Então, se por algum motivo você enxergar com mais clareza em que situação está no momento e achar que a coisa está feia... ainda há tempo. Há tempo de mudar, de recomeçar, de recriar, de consertar... Você pode sim mudar o seu destino. Ainda que esteja no fundo do poço, a não ser que esteja enterrado, existe um meio de sair. Agora vamos sair da poesia e vamos mergulhar em um mundo com um pouco menos de luz.
Marginalidade, inconsequência, vício. Sinônimos de destruição, seja ela parcial ou total. 'Mente vazia, oficina do diabo.' É exatamente isso. Coisas que nos diminuem como pessoa, degradam o corpo e a alma. O primeiro sinal de que você se tornou escravo disso é: "Eu posso me controlar, eu posso sair quando quiser,só estou me divertindo, essa é a ultima, vou só observar..." E todas as variantes desse tipo. Porque se qualquer coisa dessas fosse verdade, você sairia imediatamente desse mundo, quando isso se tornar verdade para você, significa que você encontrou o caminho para fora dali. E não se esqueça do que diz meu grande Renato Russo: "Mentir pra si mesmo é sempre a pior mentira." Mas se se enganar te faz sentir melhor, que seja. Eu acho que nunca vou entender porque alguém usa coisas assim para se completar, porque pra mim é isso que elas tentam fazer, encobrir algum buraco, curar alguma dor, se existe algo melhor que isso. Duvido que alguma droga cause sensação tão intensa quanto um orgasmo ou que o efeito de alguma delas dure quanto uma paixão que alimenta verdadeiramente nosso coração, ou que qualquer uma delas te distraia mais de uma dor do que um colo, um ombro, um abraço... Quem se envolve em ilegalidades, drogas ou semelhantes não tem essas coisas na vida na minha opinião. Assim como as garotas dos filmes acham a vida que tem insuficiente e buscam as coisas erradas para preenchê-las. Não imaginam como pode ser um verdadeiro pesadelo para sair disso, sempre acreditam que podem voltar atrás a qualquer momento e que tudo vai ficar bem. As vezes sabem que não vai ser assim e mesmo assim se entregam. No caso delas, elas conseguiram se livrar. Tiveram o apoio de família e amigos verdadeiros e conseguiram voltar para o caminho certo. Mas nos próprios filmes percebe-se quantos não tiveram a mesma 'sorte' e encontraram seu fim definitivo nesse mundo. Deus nos colocou na Terra para que mostrássemos a ele que saberemos nos comportar no paraíso (É o que eu penso.) e se você destrói o bem mais precioso que ele te deu - a sua própria vida - isso mostra que você valorizaria muito menos as coisas alheias. Não se engane com a falsa felicidade que esse mundo oferece, é só uma farsa para te ganhar. E se você for uma pessoa curiosa, ou maria vai com as outras, se afaste de qualquer pessoa que tenho algum tipo de envolvimento com essas coisas. Porque as vezes por mais que tentemos ser fortes, a carne é fraca e esses diabos com face de anjos são ardilosos. 
Se não souber o que fazer, não faça nada. Isso ai. Feche os olhos, tape os ouvidos e trave a língua. Focalize no que você acredita e não se deixe nunca levar pela maré. Certas ondas podem te levar longe demais para que você consiga voltar pra praia. E lembre-se, enquanto você não estiver trancado numa caixa de madeira debaixo da terra, sempre há um meio de mudar.
Esse assunto sempre me emociona... Paz e bem!

19 de outubro de 2012

Sobre o amor maior do mundo



Esse post não é verdadeiramente sobre o amor maior do mundo. Porque o amor maior do mundo é o amor de uma mãe por seu filho. E aqui eu quero demonstrar do amor de um filho por sua mãe.
" Mãe, o que é que a gente faz, quando o sucesso não traz a paz que a gente procura? Gleice... Mãe, pra ti conjugo o verbo amar... Eu te amo mãe, te amo mais que qualquer pessoa que caminhe nesse mundo. Todo amor que Deus colocou no meu coração é primeiramente teu mãe. Ainda que nas minhas imperfeições eu deixe de lhe dizer isso, mesmo que as vezes na minha mágoa tento te fazer desacreditar nesse amor e mesmo que te machuque por as vezes não entender que seu amor de mãe exige fazer coisas que me contrariam e que eu não entendo... É impossível não te amar mãe, porque tudo que eu sou é amor, amor por você. "
Isso foi o que eu escrevi para minha mãe agora a pouco... E em anexo uma música muito bonita, que faz muito sentido (Mãe- Rick e Renner). O amor é o sentimento mais amplo e que traz mais emoções como consequências. As vezes por mais que você ame, ame mais que tudo mesmo, que até ache que seu coração não vai suportar tanta amor dentro dele, ainda assim isso não é suficiente para que dê tudo certo entre vocês.
A maior prova de amor para mim é a dinâmica de um coração de mãe. Jamais serei capaz de entender (a não ser que eu venha a ter filhos alguns dias) como é flexível o coração de uma mãe. Elas NUNCA, nunca mesmo deixam de amar seus filhos. Por nada nesse mundo, não importa quem, oque, onde, elas JAMAIS deixaram de nutrir um amor incondicional por suas crias.
Sinceramente... eu não consigo nem de longe imaginar como é isso. Eu amo minha mãe, amo um tanto imensurável. Mas o amor de mãe é atemporal, adimensional, incondicional é indefinível. Indefinível posto que ninguém pode conhecer os limites desse amor, porque duvido que alguém possa pensar em algo que uma mãe não faria pelo bem do filho.
Eu e minha mãe temos muitas opiniões diversas, opiniões sérias. E isso gera um conflito intenso entre nós. Eu como adolescente, vivo nos extremos, como se fosse o último dia e como se minha cabeça fosse dona da razão. Claro, a culpa sobra sempre para ela, que é quem me limita e encurta minhas rédeas quando eu vou longe demais.
Ninguém é perfeito, nem mesmo as mães que se encontram bem perto disso. Mas mesmo que ela não acerte sempre, no geral, ela sempre faz o que é melhor para minha vida. Na minha incompreensão e insatisfação na busca do meu lugar no mundo eu perco as contas das vezes eu que a magoo por não entender.
Eu digo coisas ruins que nem sempre sinto, as vezes sinto coisas ruins derivadas do impulso e as vezes a insulto por me sentir insultada. E ela sempre me perdoa, sempre me ama, me compreende... ela é simplesmente TUDO.
Desde muito antes de nos carregar efetivamente nos braços, quando ainda éramos apenas coisas moles em formação (acho fetos/embriões uma coisa muito esquisita) dentro do útero dela, esse amor inapto já existia nela. Quando ainda não nos alimentava no seu seio, mas partilhava conosco dos seus alimentos, quando nos embrulhava e nos protegia com sua própria pele, seu próprio corpo, ela já havia nos promovido à criaturas mais importantes da vida delas. E nós seríamos muito mais que meros ingratos se não retribuíssemos isso se não da mesma forma, ao menos parecida, equiparando-as ao ar que respiramos, à água que bebemos. Porque pelo menos para mim é isso. Poderia ser tirado de mim qualquer coisa no mundo, meu coração poderia ser triturado, mas ainda que houvesse minha mãe, para me dar colo e carinho, eu sei que um dia tudo ficaria bem.
É inevitável que durante todo o tempo nós alimentemos esse amor puro e perfeito. Eu aposto que como eu, você ainda vai magoar e decepcionar muito a sua mãe. No fundo não importa muito, porque o amor dela vai encobrir tudo isso e a cada dele ele só vai aumentar e todas essas mágoas serem afogadas por ele. O importante é tentar melhorar sempre e ao menos de vez em quando ter esses flashes de sanidade e lembrar-se que você nunca vai encontrar algo no mundo que te ame uma fração do que ela te ama.
Paz e bem!

13 de outubro de 2012

Ninguém pode escolher por você


Depois de um coração partido, três toalhas encharcadas de lágrimas, uma madrugada em claro e dois dias sem comer praticamente nada eu comecei a tirar conclusões das minhas reflexões.
E a que salvou o dia foi: Ninguém pode escolher por você. Se Deus, que é soberano, te deu livre arbítrio, como é que outra pessoa, simples mundano como você, poderia decidir algo na sua vida?
Claro, tudo tem seu preço. Cada um pode fazer suas próprias escolhas e vai ter de lidar com as consequências, sem culpar ninguém além de si mesmo se porventura quebrar a cara. E obviamente, aceitar de cabeça baixa os tapinhas nas costas acompanhados do dolorido 'eu te avisei'. Porque na hora que nossos planos dão errado, sempre tem um que te acompanhou o caminho todo torcendo pra você tropeçar, cair e ainda por cima não conseguir levantar.
Acho que isso de escolher o caminho do bem ou do mal é muito abstrato e subjetivo. Algumas escolhas podem sim te levar direto pro buraco, mas situações de extremidade não são aquelas em que mais se tem pessoas querendo decidir por você. Normalmente esse tipo de pessoa prefere estar bem longe nas horas de decisões críticas para se isentarem de culpa futura.
Vou basear minha linha de pensamento nos pais, que no momento foram a minha inspiração para o texto. Se alguém pode decidir por nós, são eles. Mas só até certo ponto e isso eles tem dificuldade em aceitar e entender. Eles escolhem suas roupas, penteados, cortes de cabelos, primeira escola e mais uma variedade de coisas desde que você nasce e enquanto você vai crescendo. Como não existe um manual que estabeleça um padrão de criação, cada um vai dando o melhor de si.
Mas apesar de terem nos gerado e possibilitado nosso nascimento, nossas vidas não pertencem a eles. Se tivessem que pertencer seria a Deus, que nos deu o Dom da vida. Mesmo Ele nos deu total liberdade para que fizéssemos de nós, o que achássemos melhor.
No fim, cada um vai tem que responder por seus atos e colher aquilo que plantou. Então, por mais que nossos pais possam nos ajudar a adubar a terra, a regar a semente, a plantação é de nossa responsabilidade.
No mundo de hoje, em que o mal ronda a cada esquina, sem que você nem precise procurar por ele, os pais se tornam ainda mais protetores e não percebem que as vezes nos sufocam. Principalmente, não percebem que não adianta.
Isso mesmo, não adianta. O que eles podiam fazer por nós, tinham de ter feito antes, antes que crescêssemos e passássemos a pertencer mais ao mundo do que a eles mesmos. 
Eles nos orientaram, nos explicaram as coisas, nos mostraram como era o mundo, nos disseram a sua maneira o que era bom para nós e o que era ruim. Nós falaram o que eles achavam que nós faria felizes e o que nos destruiria. Nos mimaram, cuidaram, fizeram o seu melhor. Agora é a nossa vez. Eles podem, devem e vão continuar nos amando todos os dias, independente do que acontecer. 
Mas agora eles tem que sentar a assistir, assistir seu pequeno príncipe ou princesa que outro dia mesmo cabia no seu colo e hoje mal cabe no aperto do seu abraço trilhar seu próprio caminho. Assistir o resultado de todos os anos de cuidado e atenção que você dedicou a ele ou a ela.
Vai ver ele/a assumir uma personalidade que pode não ter nada a ver com a sua e formular concepções próprias sobre o mundo, sobre o certo e o errado, sobre a vida.
E você não pode fazer mais nada. Ainda que você o veja seguindo por caminhos cheios de cobras, buracos, pedras e muitos outros perigos. Você só pode esperar que ELE venha até você pedir ajuda, pedir um ombro pra chorar, ou pedir colo. Porque não importa o quanto crescidos nos sejamos, uma hora a vida vai te bater com tanta força, que o só aquele beijo de mãe que curava ralados no joelho vai conseguir consolar seu coração.
Esse será o papel dos nossos pais, assistir. E estar ali como sempre estiveram, prontos para cuidar de todas as feridas, que serão muito mais emocionais do que físicas. E o nosso papel? Viver. Viver de acordo com a nossa cabeça, porque o que te condena é a sua consciência. 
Ninguém pode escolher por você. Para sempre você vai ter que viver com o peso disso e no meio desse turbilhão de dúvidas, encontrar a sua felicidade.
Por fim, termino com uma citação da Bíblia que de certa forma resume o que eu quis falar aqui.

"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma." 
1 Coríntios 6:12



12 de outubro de 2012

Sobre uma noite solitária

Noite chuvosa e mais uma vez curtindo 'Iris' bem tranquilamente... Meu potinho de doces está lotado e isso me distrai um pouco dos problemas que me atormentam.
Resolvi vasculhar meu computador atrás das minhas produções textuais e experimentei as mais diversas sensações ao reler alguns textos. Percebi como a vida tem altos e baixos e como eu sempre vou alto, ou baixo demais de acordo com o que ela me impõe.
Eu sempre disse aqui que não tinha compromisso com a verdade ou com a realidade e vejo como isso é fato. Agora que estou simplesmente olhando as coisas de fora, sem me aprofundar no significado de tudo isso, vejo quão fantasiosa eu me torno quando algo não está certo dentro de mim. E quanto minha cabeça e minhas opiniões mudam ao longo de pouquíssimo tempo. Como minhas convenções são quebradas e revertidas. E principalmente, como a contradição continua a ser a característica que melhor me descreve.
As conclusões (que pelo visto são muito inconclusivas) que eu tiro de tudo isso é que a vida se renova a cada dia. E nós também.
A cada amanhecer, a cada anoitecer, a cada virada do tempo, as coisas mudam. Elas não são premeditadas e nem precisam seguir um padrão e por isso estão em constante transformação, a qual não se pode predeterminar ou controlar.
Acontece conosco também, pelo menos comigo. Então, eu acho que tudo bem se você mudar de opinião, mudar de rumo, talvez mudar de personalidade a medida que o tempo passe. Porque nós temos que nos adaptar para estarmos inseridos na sociedade. O importante é nunca ser radicalista, você tem que defender seus pontos de vista com convicção, mas sempre deixar uma brecha para que possa alterá-los, acrescentá-los ou diminuí-los. E também, não ser como eu, uma extremista irremediável.
Se eu tenho o coração partido, acho que nunca serei capaz de amar novamente. Se não consigo algo, acho que sou incapaz para tudo. Eu vivo a flor da pele cada emoção e cada momento e apesar de parecer bonito, não é a melhor forma de alcançar plenitude. Que é o que eu acredito ser a felicidade. Assim como o princípio do universo é a entropia. Acredito que nós, feitos da mesma matéria que ele, também vivemos de acordo com esse princípio. Uma desordem interior.
Você nunca pode fechar-se para o novo, tem de deixar que a vida surpreenda você. Nunca achar que algo está completo, mas que sempre há algo que pode ser acrescido ou mudado.
No fim, eu acho que não tem problema que minha cabeça seja uma bagunça total e que eu seja totalmente dominada pelos sentimentos que sinto no momento. Desde que as pessoas que me amam saibam compreender e respeitar, acho que está tudo bem.
Eu já fiquei tão magoada com a vida que decidi que Deus era o culpado, já disse que não estava apaixonada quando o nome dele ocupava várias páginas do meu caderno, já discordei firmemente de algo com o qual compactuava só para não concordar com alguém e já me arrependi por ter feito algo que eu queria muito fazer. O que eu quero dizer é que muitas coisas são indefinidas e se você se importa muito com o que elas significam, acaba perdendo as coisas realmente importantes. Não importa que o que eu pensava ontem está totalmente em desacordo com o que eu penso hoje ou se o que eu fazia antigamente não condiz com o que faço agora. TUDO se renova e você também. Daqui pra frente, nós temos oportunidade de sermos e fazermos o que for melhor pra nós nesse momento e não o que foi melhor pra nós em algum momento da nossa vida. Percebem? O passado não pode ser mudado, mesmo que interfira diretamente no presente. Então, o que ficou só pode ser guardado na memória enquanto o que acontece agora pode ser realmente vivenciado. 
Espero que não tenham se perdido no meio da minha confusa reflexão, mas tudo isso fez muito sentido pra mim e me libertou da tristeza de não achar quem eu era bom o suficiente, porque o que importa é quem eu sou neste exato momento.
Lembrem-se que tudo pode ser uma complexa simulação!
Paz e bem e até a próxima!

11 de outubro de 2012

Ao meu primeiro verdadeiro amor


Você fica lindo com brinco e sem brinco. Com barba e sem ela. Você é lindo de todo jeito. Principalmente quando está pertinho de mim. Você foi homem o suficiente pra me tornar uma mulher de verdade. E eu vou levar isso pra sempre comigo. 
Você me faz rir, me irrita as vezes. Me faz sentir uma saudade tremenda durante a semana. E também me faz aguentar cada aula chata acalentando minha cabeça com lembranças bonitas.
A melhor parte do meu dia era quando sua mensagem finalmente chegava, ou quando me ligava para saber como foi meu dia, falar de tudo e de nada.
E apesar de eu sempre te xingar, as vezes eu gostava de ver você cochilar, principalmente quando eu te fazia cafuné. E era impossível continuar brava quando você dizia que dormia porque estava comigo. Eu sempre entendi que não era tédio. Era paz. Acho que a mesma paz que eu encontrei em você. Uma calmaria que fazia todo o resto importar um pouco menos.
Estar juntos era suficiente né? Só ficar perto um do outro. E isso nos fazia completos. Era assim que a gente se amava e cada vez esse amor crescia.
As vezes eu achava que meu coração ia parar de tão forte que batia quando eu escutava sua voz me chamando quando você chegava aqui no final de semana. E eu pedia ao espelho para estar mais bonita do que me via ali para você.
Eu te disse tanta coisa no silêncio dos meu olhares. Na maioria das vezes eu te agradeci, agradeci por me fazer tão feliz, agradeci por me amar sinceramente, agradeci por não só apreciar o que eu tinha de bom, mas acolher com carinho até os meus defeitos. As vezes eu te pedia coisas, pedia tão alto na minha mente que jurava que você poderia escutar. Te pedia pra me abraçar forte, para me beijar. Te pedia para ficar um pouco mais ou para me levar com você.
E quando você estava triste ou sofrendo, eu nunca rezei com tanto fervor para que Deus anestesiasse sua dor ou me ajudasse a te consolar. Porque você sempre fez isso por mim, por mais bobas que fossem minhas lágrimas você nunca deixou de enxugá-las.
A primeira vez que você disse 'eu te amo'... Não tem como explicar o turbilhão de coisas que eu senti naquele momento, tantas coisas que travaram minha voz e eu não consegui pronunciar nem sequer uma palavra, embora soubesse que era recíproco. Foi um dos nossos momentos mais lindos.
Eu poderia falar e falar sem parar sobre tudo isso. Sem nunca me cansar e sem nunca faltar coisas boas para dizer. Mas de tudo, o mais importante é esse amor que você despertou em mim. Um amor que me fez ser crédula, me fez acreditar em coisas que eu achava fantasiosas. Você me fez te amar de um jeito que eu deixaria algumas das coisas que mais quero por você. Porque você é o que eu mais quero. Mesmo que o 'para sempre' seja perfeito demais para se crer, com você, eu nunca pensava no final. Eu te amava cada vez mais e queria ficar perto de você cada vez mais. Você despertou algo em mim que é muito maior que a paixão cega que nós deixa loucos uns pelos outros. Você me fez amar de verdade. Amar você e cada parte sua e querer fazer parte do seu mundo, fazer de você o meu mundo.
Veja a ironia. Eu te amo, amo de verdade, de um jeito que eu nunca amei ninguém. Apesar disso, eu te disse que não podemos mais continuar na vida um do outro. E eu ainda te peço coisas que eu sei que são impossíveis até pra mim. Te peço para ficar bem, te peço para seguir em frente e ser feliz. Te digo que Deus sabe o que é melhor para cada um de nós. Digo que você vai encontrar mais felicidade do que quando estávamos juntos.
Mas Matheus, por mais que eu queira, eu não consigo acreditar em nada disso. Enquanto houver qualquer vestígio desse amor aqui dentro, eu vou rezar para que você não encontre ninguém, digo isso sem vergonha, vou rezar para que você não consiga parar de pensar em mim. E mais que tudo, eu vou rezar para você voltar pra mim. Eu vou fazer promessas e vou pedir a Deus para ter você. Que se abram os mares, que se movimentem montanhas, mas eu vou orar pro seu caminho cruzar outra vez com o meu.
Dedicado à Matheus Emanuel. Por mais que eu tente, palavras nunca serão suficientes para te dizer o que você representa na minha vida, não há nada que eu possa lhe dizer mais verdadeiro que isso: Eu te amo.

Danielle Oliveira

Efeitos colaterais da saudade



Sinto fome, sinto frio. Não sinto vontade de comer nem de esticar minha mão até a cabeceira da cama onde deixei uma blusa de manga comprida pendurada a dias, ou horas, não tenho certeza. O tempo também não é mais o mesmo. A paisagem na janela não me causa nenhuma impressão e o chá em cima da mesa já esfriou sem que nenhum gole chegasse a minha boca.
Tenho a vaga lembrança de que a algo importante que eu deveria lembrar hoje, mas o calendário na parede,que a muito deixou de ser marcado, não me oferece pistas e minha agenda está fora do alcance do meu ânimo.
Me sinto sufocada dentro desse quarto que ainda está repleto da sua presença e não admito nem para mim mesma que não saio daqui, porque preciso me sentir perto de você. Eu não enxergo as fotos que guardei dentro daquela caixa, mas já memorizei suas feições em cada uma delas e saber que elas estão ali, tão perto, me tranquiliza. Elas elevam meu coração a um tempo bom, um tempo cheio de esperanças. Mesmo que eu não tenha deixado você usá-lo por muito tempo, eu ainda lembro do brilho daquele brinquinho de strass pendurado na sua orelha. Agora ele está opaco e inutilizado dentro da minha caixinha de jóias.
E tem aquela joia  que eu nunca guardei lá dentro, que eu nunca tirei de mim. A aliança que traz seu nome gravado na prata tão intenso e inapagável quanto parece estar no meu peito. O anel que figuradamente nos conferia um compromisso, que me fazia acreditar  que o tínhamos era algo maior. Queria acreditar que o coração é como uma aliança de prata. Eu derreto-a, apago todos os vestígios do seu nome e transformo-a em outra coisa que de forma nenhuma me fará lembrar do que havia ali antes. Até tatuagens são removíveis e meu amor por você não parece ser.
São pequenos momentos que fazem uma falta danada. Aquele dia em você dormiu no meu colo antes mesmo do filme chegar ao meio e eu mesma não vi nada porque me distrai vendo você dormir. Aquela flor que eu ainda tenho guardada que chegou as minhas mãos fresca depois se ter sido arrancada do jardim da vizinha. O dia em que você me carregou porque eu não conseguia me equilibrar nos saltos. O chocolate que você deu para mim, mas comeu inteirinho mas eu guardei de lembrança o papel. E o relógio não interrompe a sua marcha enquanto eu fico infinitamente recompondo cada instante que passei ao seu lado.
Eu não acreditava em eternidade, nem pensava num futuro muito distante. Mas achava que o que a gente tinha valia alguma coisa. Se um dia acabasse, pensei que seria porque cada um tinha que seguir o seu próprio caminho. Não que você seguiria o seu e me deixaria perdida na estrada da nossa história. Me resta acreditar firmemente que tudo que aconteceu foi tão verdadeiro para você, quanto foi a mim. E me contentar com a nostalgia até que meu coração esteja pronto para o próximo passo da vida.
Um flash de memória me recorda o que eu inconscientemente tentava esquecer, hoje é dia vinte e cinco de março... Você me prometeu que nesse dia nós... Quer saber, não importa mais. Tudo isso é passado e agora só me resta sentir os efeitos colaterais da saudade e esperar que o tempo cicatrize as feridas. Está doendo e pode ser que ainda doa muito mais, mas vai passar. Afinal o que não nos mata, nos torna mais fortes e essa dor de amor está longe de causar algum efeito letal em meu corpo.
Danielle Oliveira