25 de abril de 2012

Um cigarro e um baseado (Parte 2)

OBS: Essa história não faz apologia ao uso de nenhuma substância e nem a adoção de comportamentos ousados como o da personagem. Esse conto como tudo que escrevo é uma mistura entre ficção, realidade, imaginação e observação. A postagem tem fim puramente literário, então não percam seu tempo precioso julgando as intenções maliciosas que vocês julgam que eu tenho ao escrever isso.


Por Olivia Linder,

Vocês já devem ter visto como eu vivo numa viagem muito doida. Comecei minha história pelo começo do fim. O começo do fim da minha vida. Porque eu desci ao mundo dos mortos e voltei. E vou dizer o que eu era antes disso. O que eu vou me tornar depois ainda estou descobrindo.
Queria começar bonito, dizendo que essa é a história de uma menina que entrou num mundo de perdição para se encontrar e acabou se perdendo de vez. Mas eu não tenho o Dom do Poeta.
Eu sou como qualquer um. Tenho pai, mãe e tem os outros filhos deles. Até certa idade a gente empurra a vida como o mundo manda e depois resolve por qual caminho queremos seguir. Bem, desde sempre eu nunca soube o que estava fazendo ali. Experimentei muitas vibes e nunca achei a minha conexão.
Olivia Linder para a sociedade e Bruxinha para o resto, que vive alheio nas margens. Meus amigos dizem que eu venho da Lua que é por isso que eu só fico vagando aqui. O Coringa costuma dizer que eu viajo tanto pra tentar alcançar a lua e voltar pra casa.
Até os 12/13/14 anos, que foi quando o Vírus chegou na minha vida, não havia nada pra escrever, nada pra destacar. É assim com todo mundo, não tem nada pra reparar. Até que você nota a existência daquele carinha que usa óculos e dorme nas aulas quando ele entra em coma alcoolico. Ou na menina que gosta de fazer perguntas na aula de geografia, quando você descobre que aquela barriguinha saliente carrega outra vida.
É bem assim que nós vivemos. Nós e todos ao nosso redor. Nada nem ninguém importa muito, até que algo fora do seu mundo te choque.
Eu era assim. A garota que ninguém nunca reparou e que não fazia diferença. Fechada no meu círculo que não cruzava com os seus.
Sei lá se as pessoas tem medo do mundo, medo dos outros. Mas o que elas fazem é acorrentar a elas algumas pessoas e se manter o mais longe possível do resto. E quando alguém rompe essas correntes e fica a vista de todos, os olhos se arregalam.
E eles estão assim agora, arregalados olhando pra mim. Agora eu vou acender um beck. Olhos vermelhos arregalados vão dar uma colorida nesses globos brancos.

-B.

23 de abril de 2012

Sobre uma manhã nublada e muitas tristezas


Essa manhã não é a mesma do título do post. Nem me lembro mais que dia era e porque eu estava tão triste. Mas hoje, as coisas também estão ruins.
É um daqueles dias que você acorda antes do despertador e olha pra janela e vê o céu ainda escuro e um vento frio balançando suas cortinas.
Eu acordei assim hoje (23/04) e não tive ânimo nem pra chorar. Fiquei olhando pro meu teto branco e vazio planejando mentalmente as coisas que teria que fazer hoje.
É semana de provas e é incrível, mas eu estou mais ou menos em dia com as matérias, para-casa, exercícios, trabalhos e afins. Mesmo assim, eu ainda odeio ter que vir a escola.
Quando eu estou assim triste, é o lugar que eu mais odeio. Me sinto num mundo estranho.
Fecho a mente pra essas coisas 'tolas' e jogo toda a minha concentração pra me sair bem, afinal, o resto é resto né?
O importante são somente os meus resultados.
Fiz uma programação louca para o final de semana, que vem com um feriado de brinde. Me desafio a sair viva, ou pelo menos sã dele. Eu já disse da minha necessidade de sair da realidade quando estou puta da vida assim.
Eu gostaria que muitas coisas sumissem da minha vida. A construção da minha vida nesses últimos meses que trouxeram aqui, a um estágio em que eu estou estagnada e pensando: 'mas que merda?'.
To insatisfeita com a vida cara!
Como as coisas podem ir simplesmente fluindo e se encaixando se aqui dentro de mim tá uma completa confusão? As vezes me dá uma tremenda indignação que a vida siga seu curso, se sua alma não consegue acompanhar o ritmo.
Eu tenho que levantar as cinco da manhã, vir para a escola fazer uma tonelada de provas, mesmo que meu final de semana tenha sido uma droga e minha cabeça esteja vagando em outros rumos.
Tenho que estar sempre linda e sorridente para o meu namorado porque ele não tem culpa dos meus problemas. E ainda fazer as tarefas de casa porque cada um tem que fazer sua parte, mesmo que minhas pernas estejam estraçalhadas pela semana puxada.
Com o perdão da palavra, vão se fuder.
Aonde fica a busca pela felicidade? E o sentido da vida?
Não me interessa que eu esteja mandando bem na escola, que meus pais estejam satisfeitos com meu desempanho e etc. Estou cansada dessas convenções sociais.
Quero ter o direito de acordar, olhar para o céu nublado, abraçar apertado o meu travesseiro e ficar quietinha até que minha força de vontade me convença de que eu sou capaz.
Eu posso não estar num dia bom e ficar mal-humorada e não querer namorar, mesmo que seja o único dia da semana em que eu posso vê-lo.
E por mim que as larvas dominem minha casa, eu já estou totalmente dolorida de carregar dezenas de livros nas costas durante a semana e não quero acabar de destruir minha coluna esfregando o chão.
Onde é que fica a preocupação com seu bem-estar? Com sua humanindade mesmo?
Estamos tão acostumados a nos deixarmos levar pela correnteza que nem nos importamos mais com o que se passa internamente em nós.
Hoje eu estou tão mal, tão triste. E tenho que ficar aqui, com a boca bem fechada para não incomodar os outros e ainda ralhando com minha mente para que ela se esforce um pouco para eu fazer as atividades do dia.
Pelo menos uma coisa eu posso fazer, escrever o quanto eu quiser. Gostaria de não estar namorando. De ter dispensado-o depois da diversão. Deixado o amor para mais tarde. Queria desligar a parte sentimental de mim e fazer as coisas premeditadas pela sociedade. Acordar, ir a escola...
E agora eu finalizo o post, dou um tchau para a professora e sigo em frente. Só guardando dentro de mim toda essa frustação.
Boa semana! (A irnonia não é facilmente perceptível, mas ela está presente.)

17 de abril de 2012

Um cigarro e um baseado (Parte 1)


Por Olivia Linder,

Então eu vou te contar como cheguei até aqui. Não é muita novidade. Foi como qualquer drogado, uma overdose me trouxe a superfície.
Mas não foi exagero de chá. Ninguém tem overdose de maconha, a natureza tem dessas coisas legais.
Overdose de adrenalina. Isso ai, me envolvi numa treta tão grande que meu coração não aguentou. Ele já andava meio despedaçado e depois dessa pancada, ficou impossível juntar os cacos.
Vamos aos fatos. Eu demorei a lembrar dos acontecimentos sequenciais que quase me colocaram em um caixão. É unanimidade para os outros que a erva ajudou a afetar minha memória, meros leigos. Qualquer pessoa levemente observadora pode perceber que meu Q.I não tem nenhum problema.
Antes, eu só podia lembrar do escuro. Eu via, ouvia, sentia e tocava o escuro. Em todos os lados, direções e sentidos não havia nada além do escuro. E não era uma viagem, era só escuro. Até que eu senti um calor, lá dentro das sombras não tinha sensação. E eu senti aquilo se irradiar por todo meu corpo. E então eu soube que era a Princesa. Na profundidade da minha mente eu sabia e sentia que as mãos delas estavam na minha. Eu me agarrei com tudo que tinha nela.
" E as máquinas registraram uma leve alteração e todos que se encontravam no quarto se debruçaram em cima da menina pálida quando a Princesa jurou que ela apertara sua mão."
Eu sabia que a Princesa entenderia. Usei de todo meu fôlego e comecei a passar minha mensagem para ela. Cantei para ela.
" Os lábios da menina começaram a se mover levemente e todos se inclinaram para perto para poder ouvir os fracos sussurros.
- É a música. - A Princesa com os olhos marejados falou aos outros.
- Música? Como música? - O coro lhe respondeu.
- Knock, knock, knock heavens door... "
Ela começou a cantar mais alto e a me incentivar apertando minha mão. Todos cantaram e fez-se a luz. Pelas pequenas frestas das janela da alma, aos pouquinhos eu fui distinguindo tudo, principalmente aquele branco imininente que encobria todos os lados, ele não era tão poderoso como a escuridão, mas ainda assim me deixava temerosa.
A Princesa chorava e eu não queria causar mais dor a minha pequena mas, eu precisava ir. Meu tempo já estava se esgotando. E eu disse a ela, só para ela:
- Princesa, eu estou batendo na porta do céu, não se esqueça.
E o pranto dela não deixava espaço para os milhões de palavras que eu tinha certeza que ela queria me dizer.
- Eu não quero mais viver. Esse mundo não é mais meu.
As coisas foram ficando cada vez mais embaçadas quando eu disse ao escuro que estava pronta pra voltar.
" - Acalmem-se. - O Dr. Jaleco tentava em vão conter minha família alterada. E a Princesa chorava resignada perto da porta. Os sinais vitais estavam cada vez mais fracos e não havia muito o que fazer. "
Meu corpo estava rendido e nada que eles fizessem poderia convencer minha mente a viver. Ai eu ouvi, claro e nítido como um pingo d'água numa caverna vazia. Coringa. Eu gosto da paz e tranquilidade e aquilo que eu senti foi como um choque elétrico potente.
" O Dr. Jaleco aplicava voltagens cada vez mais altas procurando uma reação qualquer da paciente. "
Meu corpo todo se revirava, eu comecei a suar, meus olhos arregalados saltavam das órbitas. Eu mal conseguia ouvir meus gritos por cima das batidas do meu coração que estava desenfreado no peito.
- CORINGA! ME PERDOE! POR FAVOR ME DEIXEM VER O CORINGA! CORINGA, EU PRECISO DE VOCÊ!
Eu não consegueria resistir aquelas mãos potentes que me prendiam a cama mesmo que pudesse fazer uso de toda minha força, no meu estado isso era impensável. Eu chamei por ele enquanto pude e depois eu cai...fui caindo, caindo...
A propósito, o sol tá se pondo. Vocês deviam ver que onda é ver a fumaça subindo com o horizonte ao fundo. É bonito mesmo, faz você pensar nas coisas que valem a pena na vida. Isso não acaba por aqui e se meus dedos não se disporem a rolar pelo teclado, eu vou achar quem faça, porque essa história vocês precisam conhecer.

-B.