Por Olivia Linder,
Então eu vou te contar como cheguei até aqui. Não é muita novidade. Foi como qualquer drogado, uma overdose me trouxe a superfície.
Mas não foi exagero de chá. Ninguém tem overdose de maconha, a natureza tem dessas coisas legais.
Overdose de adrenalina. Isso ai, me envolvi numa treta tão grande que meu coração não aguentou. Ele já andava meio despedaçado e depois dessa pancada, ficou impossível juntar os cacos.
Vamos aos fatos. Eu demorei a lembrar dos acontecimentos sequenciais que quase me colocaram em um caixão. É unanimidade para os outros que a erva ajudou a afetar minha memória, meros leigos. Qualquer pessoa levemente observadora pode perceber que meu Q.I não tem nenhum problema.
Antes, eu só podia lembrar do escuro. Eu via, ouvia, sentia e tocava o escuro. Em todos os lados, direções e sentidos não havia nada além do escuro. E não era uma viagem, era só escuro. Até que eu senti um calor, lá dentro das sombras não tinha sensação. E eu senti aquilo se irradiar por todo meu corpo. E então eu soube que era a Princesa. Na profundidade da minha mente eu sabia e sentia que as mãos delas estavam na minha. Eu me agarrei com tudo que tinha nela.
" E as máquinas registraram uma leve alteração e todos que se encontravam no quarto se debruçaram em cima da menina pálida quando a Princesa jurou que ela apertara sua mão."
Eu sabia que a Princesa entenderia. Usei de todo meu fôlego e comecei a passar minha mensagem para ela. Cantei para ela.
" Os lábios da menina começaram a se mover levemente e todos se inclinaram para perto para poder ouvir os fracos sussurros.
- É a música. - A Princesa com os olhos marejados falou aos outros.
- Música? Como música? - O coro lhe respondeu.
- Knock, knock, knock heavens door... "
Ela começou a cantar mais alto e a me incentivar apertando minha mão. Todos cantaram e fez-se a luz. Pelas pequenas frestas das janela da alma, aos pouquinhos eu fui distinguindo tudo, principalmente aquele branco imininente que encobria todos os lados, ele não era tão poderoso como a escuridão, mas ainda assim me deixava temerosa.
A Princesa chorava e eu não queria causar mais dor a minha pequena mas, eu precisava ir. Meu tempo já estava se esgotando. E eu disse a ela, só para ela:
- Princesa, eu estou batendo na porta do céu, não se esqueça.
E o pranto dela não deixava espaço para os milhões de palavras que eu tinha certeza que ela queria me dizer.
- Eu não quero mais viver. Esse mundo não é mais meu.
As coisas foram ficando cada vez mais embaçadas quando eu disse ao escuro que estava pronta pra voltar.
" - Acalmem-se. - O Dr. Jaleco tentava em vão conter minha família alterada. E a Princesa chorava resignada perto da porta. Os sinais vitais estavam cada vez mais fracos e não havia muito o que fazer. "
Meu corpo estava rendido e nada que eles fizessem poderia convencer minha mente a viver. Ai eu ouvi, claro e nítido como um pingo d'água numa caverna vazia. Coringa. Eu gosto da paz e tranquilidade e aquilo que eu senti foi como um choque elétrico potente.
" O Dr. Jaleco aplicava voltagens cada vez mais altas procurando uma reação qualquer da paciente. "
Meu corpo todo se revirava, eu comecei a suar, meus olhos arregalados saltavam das órbitas. Eu mal conseguia ouvir meus gritos por cima das batidas do meu coração que estava desenfreado no peito.
- CORINGA! ME PERDOE! POR FAVOR ME DEIXEM VER O CORINGA! CORINGA, EU PRECISO DE VOCÊ!
Eu não consegueria resistir aquelas mãos potentes que me prendiam a cama mesmo que pudesse fazer uso de toda minha força, no meu estado isso era impensável. Eu chamei por ele enquanto pude e depois eu cai...fui caindo, caindo...
A propósito, o sol tá se pondo. Vocês deviam ver que onda é ver a fumaça subindo com o horizonte ao fundo. É bonito mesmo, faz você pensar nas coisas que valem a pena na vida. Isso não acaba por aqui e se meus dedos não se disporem a rolar pelo teclado, eu vou achar quem faça, porque essa história vocês precisam conhecer.
-B.

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