23 de fevereiro de 2012

Sobre válvulas de escape

Me lembrei de uma frase que minha tia me disse esses dias mesmo, quando conversávamos sobre álcool e outros vícios:
" Eu já estava no fundo do poço, para que eu ia continuar cavando? "
Fez muito sentido para mim e eu espero que vocês compreendam o porquê ao longo do post.
Não me lembro direito de detalhes, mas toda vez que ouço a expressão 'válvula de escape' me remete à algum momento na 6° série onde a Cida, minha professora de geografia falou algo assim relacionado ao Gabriel, o Pensador. 
Todo mundo precisa de uma válvula de escape na vida, um lugar seguro onde se esconder dos terrores do mundo. A minha é ler e escrever principalmente. Viver no mundo da fantasia é o que me relaxa das angústias da realidade.
Isso é saudável e necessário para preservar a humanidade de cada um. 
Mas já dizia o ditado(?) tudo em excesso faz mal. E pra mim é ai que se encaixam os vícios.
As vezes a necessidade de se soltar do mundo é grande demais e mergulhamos de cabeça em coisas que nos fazem ficar a parte. Como bebidas, cigarros, entre outras drogas e coisas prejudiciais.
Eu digo por experiência própria. Toda vez que me sinto quebrada por dentro (como agora) eu tenho a necessidade de fazer coisas - as quais se eu estivesse pensando racionalmente perceberia que são estúpidas - que de alguma forma selem essa rachadura.
E toda vez que faço isso me lembro de outra frase:
" Queria sentir no corpo toda a dor que estou sentindo no coração. "
Quem disse foi um cara que furou a mão com uma faca depois de ser traído pela mulher que amava. Isso se encaixou perfeitamente pra mim, porque é exatamente essa sensação que eu busco quando me afogo em perdição.
Depois de momentos maravilhosos durante o dia, eu tinha insônia durante a noite, pesadelos que me faziam suar a me revirar na cama. Eu totalmente incompreendia o que está acontecendo.
Até o dia em que eu realmente acordei, eu saí da minha realidade subjetiva e pensei mesmo no que eu estava fazendo. Me enganando. O tempo todo.
Eu fui reprovada na escola esse ano. Tive dezoito matérias no ano letivo passado, fui aprovada em dezessete e reprovada em uma. Mas isso não importa de nada se você quer saber, porque no fim, eu vou mesmo ter que repetir tudo.
Eu me sentia tão forte, tão motivada no começo. A ignorar a derrota e continuar seguindo em frente. Eu respirei fundo e tracei minhas estratégias para esse ano, pensei em tudo que faria de melhor.
E sabe o que aconteceu? Eu implodi.
Não percebi que estava tão determinada a fazer as coisas darem certo que não me permiti vivenciar minha dor. Eu disse para mim mesma que ia ficar tudo bem e anestesiei a ferida que se abria cada vez mais dentro de mim. Até que meu corpo não suportou mais.
E colocou tudo pra fora. Ainda assim eu continuei ignorando, recitando para mim a ladainha de que tudo ia ficar bem e de que eu ia conseguir.
É como uma gripe, que pode começar mansa e se não tratada, termina em pneumonia.
Eu me injetei tanto ânimo e coragem que não percebi a superficialidade de tudo que estava vivendo.
E quanto pior as coisas ficavam, mais eu procurava coisas que me sedassem a dor.
Eu passei a ajudar em casa, aprendi a cozinhar algumas coisas, passei a ir mais frequentemente à casa das minhas amigas, fiz visitas longas à minha família, resolvi fazer uma festa caseira para comemorar meus dezoito anos, comecei a ler diariamente a bíblia e a orar com fervor e comecei a namorar.
Não importa por quanto tempo dura o efeito de uma droga, uma hora ela acaba. E vejam agora vocês como a frase lá do início se encaixa e mim e em que monstro se transformou minha válvula de escape.
Eu deixei de acreditar em Deus, meus colegas de sala comentam entre si como eu tenho um jeito antipático e eu não me importo em dizer aos quatro ventos como odeio todos eles, penso e leio sobre coisas obscuras e estou me entregando à alguém contrariando todos meus princípios sobre relações.
Na tentativa de continuar bem, sem me abalar, eu consumi tudo que havia de bom em mim e arrastei pessoas com as quais eu me importo.
Agora eu caminho obscuramente numa linha tênue entre dois lados, como o Lobo Bom e o Lobo Mau que vivem dentro de você lutando continuamente. O que vence é o que você se alimentar.
E como alimento eu oferecerei a mim mesma. Eu quero sentir no corpo tanta dor quanto sinto no coração ou devo parar de cavar já que atingi o fundo do poço?
Até mesmo o post perdeu o sentido devido à profundidade da reflexão.
A única coisa que eu consigo parcialmente concluir com racionalidade é que minha válvula de escape tornou-se a doentia rotina de sugar tudo que está a volta para tentar suprir o que me falta aqui dentro.
É mais ou menos isso.
" A escuridão inveja a luz justamente por não poder possuí-la. "
Minha mente oscila perigosamente entre uma coisa e outra.
Estou no segundo ano do ensino médio, vou fazer dezoito anos daqui à treze dias, tenho um namorado que gosta de mim, uma família que apesar de tudo é unida e amigos que me amam.
Isso é o que se vê por fora. Mas por dentro, eu simplesmente perdi o amor.
Amor pela vida, pelas pessoas e pelas coisas que eu gostava.
Minha válvula de escape passou a ser muito mais que uma atividade saudável para balancear a vida.
Ela passou a ser tudo que me prende ao lado sensato da minha mente.
Me dói ver que se eu tivesse opção simplesmente deitaria e fecharia os olhos para o mundo, para viver na escuridão mesmo. Não importa o que tem depois. Se é tudo ou nada, eu só queria mesmo esquecer.
E isso tudo porque eu realmente tentei ser uma fortaleza e ficar bem. 
Agora tem tanta coisa envolvida, que não resta escolha. Se o lado esquerdo da face já está machucado, ofereça o lado direito para a vida te esbofetear.
Eu tentei esconder que doía uma vez e isso me devorou vorazmente apesar de todos os meus esforços para reprimir, vou verbalizar um pouco do que está se passando nos meus pensamentos.
* Eu acredito em Deus, mas optei por não segui-lo mais. Eu preciso botar a culpa em alguém e Ele é quem eu mais amava no mundo todo. Portanto, eu O escolho.
* Não faço ideia de porque estou namorando. Talvez porque eu ache graça em alterar o relacionamento no facebook. Não sou a favor de relações convencionais e nem estou apaixonada. Não acredito no nosso futuro, dou no máximo um mês para que eu me canse e termine com ele.
* Acho que minha prima está fazendo uma burrada sem tamanho se casando esse ano.
* Estou morrendo de ódio do Junko por ele não ter me contado que perdeu a virgindade e mais ainda por não ter me contado que fez sexo sem camisinha numa praça pública e que a menina suspeitava de estar grávida.
* Agora que parei de chorar, estou horrorizada com o que estou escrevendo.
* Nunca usei drogas e nem acho graça nelas, mas se alguém chegasse aqui agora eu teria coragem de experimentar todas só para mostrar minha revolta interior.
* Eu adoro dançar e gosto de festas, mas odeio multidões. Por isso não vou frequentemente a boates ou eventos superlotados.
* Minha melhor amiga de verdade é só a Ellie. O resto é resto.
* Eu nunca gostei de verdade de ninguém. Por isso é que nunca fico sério, só me divirto até ficar enjoada.
* As vezes eu acho a Tete uma criança mimada e chata.
* Eu fantasio vários métodos de tortura para usar na minha irmã caçula.
* Também sempre fantasio que levo uma boa surra, sentindo no corpo a dor do coração e blablabla
* Acabei de recuperar o juízo e vou parar de falar besteiras!
Como fechamento, só gostaria de dizer que vocês são livres para expressar opiniões, mas todos os post aqui, são minhas visões pessoais sobre coisas da vida e não tolero julgamentos de quem quer que for. Se você leu até o final, aposto uma moeda que está com o rosto contorcido de indignação. Mesmo assim, obrigada e até a próxima!
(Acabei de ler na minha lista de post a serem escritos que tem um que é sobre pensamentos obscuros, então é provável que eu retorne a falar desses assuntos, vamos torcer que com mais sanidade!)

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